Wednesday, 3 July 2013

A hora de saber

Quarta Feira, 3 de Julho de 2013
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O segundo resgate e os electrocardiogramas instantâneos da bolsa e dos juros da dívida não são a notícia do momento. São 11.30 da manhã de Quarta Feira e ainda não sabemos o que é que os ministros do CDS vão fazer e quando se vão demitir. O Presidente também ainda não proferiu uma palavra. Ainda não sabemos a posição do MNE em relação ao presidente da Bolívia estacionado em Viena. E a capa do Público na internet mostra gráficos ilustrando o alerta que os juros da dívida dispararam momentaneamente. Se tivéssemos um electrocardiograma constantemente ligado ao peito enquanto fazemos a nossa vida, iríamos assustar-nos muitas vezes. Os juros disparam não porque os investidores fogem mas porque estão à espera. Estes valores têm a ver com trocas especulativas não com valores que Portugal está realmente a pagar. É a coisa mais normal do mundo dentro da anormalidade que este governo provocou. Vamos resolver a nossa vida, fazer dieta e exercício e depois voltamos a fazer exames.
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As demissões do governo caem como gotas de uma torneira mal fechada. O CDS reúne-se para decidir se rompe a coligação enquanto o Primeiro Ministro está em Berlim numa cimeira Europeia. Há dois dias, Gaspar deixou as finanças no meio da redefinição do orçamento de Estado. Ontem, Paulo Portas demitiu-se no dia em que atravessa provavelmente a maior crise diplomática do seu ministério. O Presidente da Bolívia, Evo Morales foi forçado a aterrar de emergência na Áustria  depois de Portugal ter recusado o voo presidencial  no seu espaço aéreo, devido à suspeita de que transportava Edward Snowden. Também em Portugal estão a faltar revelações sobre o que está por trás desta grande trapalhada. É provável que o governo americano conheça os detalhes, se tiver interesse nisso. É importante o povo português sabê-los também.
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Snowden denunciou as escutas às delegações da União Europeia e da ONU e às comunicações privadas de todos os cidadãos do mundo. Num tempo em que movemos voluntariamente as fronteiras da privacidade através do facebook e outras redes sociais, a espionagem ganhou um protagonismo nunca antes visto. Em Portugal as notícias da associação do espião Silva Carvalho com o ministro Relvas e a acusação de Cavaco de que o governo e Sócrates tinha escutas na presidência da República tiveram enorme importância na criação do clima politico que vivemos hoje. Parece ter chegada a hora da clarificação. Vivemos num tempo de revelações. Não podemos esperar que a politica seja feita como até aqui. Não podemos permitir o controle cínico de alguns  sobre a informação, parte dela provavelmente obtida através de meios ilícitos. É preciso mais expressão e questionamento no espaço público e menos jogo de bastidores. Políticos da oposição, jornalistas e todos nós teremos de adoptar uma postura mais intransigente para não permitir que a irresponsabilidade de quem nos tem governado possa passar despercebida e repetir-se eternamente.
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O CDS não existe. PP demite-se sem dizer nada ao partido. O partido reúne-se para ir atrás em bloco. Mas foi claramente apanhado de surpresa.
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O PSD nunca existiu. Não é social democrata como se chama. É uma organização que se excita com líderes e depois os rejeita. Para depois os reabilitar e rejeitar de novo. Cavaco, Durão Barroso, Santana Lopes, Passos Coelho. Todos foram idolatrados. Todos caíram em desgraça. Mas como a organização não quer aprender lições todos podem, tal como Cavaco, regressar. Ouvi falar de Durão e Santana como pre-candidatos a Belém. Pensei que estava a delirar. Gostava que alguém me explicasse qual o contributo deste partido para a democracia portuguesa que possa contrabalançar o prejuízo de ter promovido estes líderes, para alem de Duarte Lima, Miguel Relvas, Silva Carvalho, Vítor Garpar e os responsáveis pelos alegados crimes do BPN.
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“Eu bem te avisei” é uma expressão irritante. Mas parece-me que hoje, mais do que ir à procura das vozes dos senadores que estiveram calados e coniventes e dos políticos que ficaram na sombra à espera da sua vez, temos de virar-nos para quem nos avisou. Quem viu provada a sua razão. Quem a respeito da relação com os credores, primeiro falou no que era impensável e agora inevitável – a reestruturação.  E quem a respeito desta coligação primeiro percebeu que ela estava a destruir o país e que esperar que Paulo Portas escolhesse o tempo da sua morte só piorava as coisas. Quem nunca deixou de o dizer. São essas vozes que temos de escutar agora. Precisamos de aprender com os erros passados e deixar de ter medo de fantasmas. Procuremos quem percebeu primeiro.



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