Concordo com o presidente da AICEP quando diz que vivemos uma época de ideias e projectos em que, como não sabemos o que fazer para dar a volta à crise, devemos estar abertos a alternativas ao que tomávamos como adquirido. Só não entendo é como é que isso possa ser compaginado com uma ideia de consenso entre os partidos para fazer face à ameaça. Primeiro, os partidos vão pôr-se de acordo em relação a quê, se ninguém sabe o que fazer? Depois, se há alguma consenso possível é em relação às causas desta situação. E essas estão claramente ligadas a um consenso sobre o modelo de desenvolvimento cuja auto-confiança desprezava alternativas.
O retorno à política tem a ver com a procura de ideias e projectos inovativos que nos façam aproveitar esta situaçao, como sociedade e não como indivíduos ou grupos a tentar tirar vantagens da crise à custa de outros. Para isso o que precisamos é de fomentar um espaço público e político que não desperdice ideias e projectos, por mais radicais que pareçam. Plataformas de diálogo e decisão que incluam a divergência de opinião. Se isso pode ser feito com partidos políticos ou não, é caso para pensar, mas o que não combina é com consenso.
Empresas e outras organizações começaram já há algum tempo a aperceber-se de que, num ambiente de mudança rápida, o sucesso pode ser fatal, se excluir a diferença. Como diz o sociólogo norte-americano David Stark, muitas organizações caem facilmente na armadilha do sucesso, cristalizando procedimentos e afundando-se quando o ambiente muda. A convivência de sistemas de valoração diversos através de modelos de gestão do atrito provocado pela contradição é o que permite às empresas prosperar atravessando crises e transformaçoes profundas. O mesmo se passará com as economias e o grande teste está já aí.
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